Ontem, eu li um post do No Controle onde o Lipedal falava sobre como os jogos ainda tinham que evoluir como arte. Num ponto do texto, o Lipedal fala da opinião do Gui, que é a seguinte (nas próprias palavras do Lipedal): “como jogo, um jogo deve se focar no gameplay, não virar um filme interativo, como Indigo Prophecy se auto-denomina”.
Respeito a opinião do Pedal, mas concordo com o Gui. Um jogo deve focar no gameplay. Claro, há jogos com exelentes histórias, mas o gameplay deve sempre vir em primeiro lugar. Ou seja, para um jogo ser bom, em primeiro lugar, deve ter um bom gameplay. A história vem depois. Para explicar melhor, aí vão alguns exemplos:
Super Mario 64
Não precisa ser exatamente o 64, pegue qualquer jogo de plataforma tradicional do encanador bigodudo. Nesta versão, a história é a seguinte: a Princesa Peach convida Mario para comer bolo no seu castelo. Chegando lá, Mario descobre que Bowser a sequestrou e adivinha? Terá que salvá-la. A história do jogo pode ser explicada da seguinte forma: “a princesa foi sequestrada e você terá que salvá-la”. Simples. Durante o jogo, não há reviravoltas no roteiro, não há personagens com personalidades marcantes. Resumindo: o enredo de Super Mario 64 é pífio. No entanto, muitos consideram o jogo como o melhor do Nintendo 64. Por quê? Por causa do gameplay. Porque o jogo é divertido. MUITO divertido. E não foi necessária uma história para que o jogo alcançasse o status que possui até hoje.
Doom 3
Se formos analisar de forma simples, a história de Doom 3 é a seguinte: “você está num local que foi invadido por monstros do inferno e precisa sair daí com vida”. Essa frase também poderia explicar tranquilamente a história de todos os outros jogos da série. Já que a história é fraca, sobra o gameplay. E o gameplay de Doom 3 funciona muito bem, é um jogo muito divertido mesmo. Leiam qualquer análise do jogo feita na época do lançamento para ter uma ideia do que estou falando. Doom 3 até dá uma enrolada, colocando uma história de fundo legalzinha, mas não adianta. Eu e todo mundo que jogou Doom 3 só o fez por causa do gameplay, não por causa da história.
Citei apenas dois exemplos, mas poderia ter citado vários. A lista é imensa. Agora, o outro lado da moeda: o jogos com histórias boas. Nessa área, creio que o maior exemplo seja a série Metal Gear Solid. Joguei apenas o primeiro jogo da série, e deu pra perceber que a história é mesmo ótima. Além dele, existem os RPGs japoneses. Já li vários textos falando das exelentes histórias desses jogos, como Final Fantasy VI e VII, Xenogears, Chrono Trigger e por aí vai. A história pode ser boa, mas o sistema de batalha desses jogos é o que estraga tudo: as batalhas aleatórias e as batalhas por turno tiram a graça dos jogos. Por causa das batalhas aleatórias, não aguentei jogar nem 30 minutos do primeiro Final Fantasy, e as batalhas por turno me fizeram enjoar de FF XII e de Chrono Trigger. Se o gameplay fosse mais interessante e divertido, com certeza teria jogado todos esses games até o final.
É assim que os jogos devem ser criados, na minha humilde opinião. Não quero que os produtores pensem: “puxa vida! acabei de ter uma ótima idéia pra um roteiro de jogo. Quando o roteiro estiver pronto eu me preocupo com o gameplay”. Quero mais é que eles pensem assim: “puxa vida! Tive uma idéia genial para o gameplay do meu novo projeto de jogo! Ô Fulano, traz um copo d’água e um roteiro pra mim, por favor?”.


Escrito por Pedro Ivo 









