Vocês já repararam em como nos finais de ano, sempre surge uma alegria generalizada, vinda do nada? Na infância, isso é até compreensível: o Natal (a.k.a. presentes) está aí, assim como as férias. Na medida em que vamos crescendo, as razões para alegria vão se esvaindo – presentes natalinos de parentes se torna algo cada vez mais raro, e não há por que se contentar com a chegada das férias, pois no próximo ano as matérias do colégio estarão ainda mais puxadas, sugando ainda mais o seu tempo livre. Até hoje não entendo como existem pessoas por aí que, mesmo estando com a vida completamente lascada, caem na “alegria de fim de ano”, tentando convencer a si mesmas de que o próximo ano será melhor. Peraí, então quer dizer que você tem 16 anos, engravidou sua namorada de 14 e está aí, feliz da vida no final de ano? Vá repensar essa atitude, amiguinho.
Mas então né, voltando ao ponto do texto. Acontece que neste último fim de ano em específico, eu e meus amigos tivemos algo a celebrar. Após 15 dos nossos 17 (para alguns, 18) anos de vida, concluímos o colégio. Olha, sei que óbvio o que vou dizer, mas não é algo que acontece todo dia. Só quem já concluiu sabe a sensação maravilhosa que é atravessar as portas do dito cujo para NUNCA MAIS VOLTAR. Claro, também guardo inúmeras boas lembranças desses tempos, mas só de pensar que jamais terei que acordar às 6 da manhã para estudar coisas como Biologia e Química já é um enorme alívio.
Outra coisa pela qual todo concluinte do Ensino Médio passa é o tal do vestibular. Bom, essa é outra razão para pra minha alegria de fim de ano: passei no vestibular da Católica de Pernambuco (UNICAP, para abreviar), ou seja, daqui a aluns anos, vocês estarão lendo aqui textos de um jornalista formado!
Um grande amigo meu também passou, e ano que vem estará cursando Direito. Para a comemoração, o camarada chamou os amigos para um dia de jogatina desenfreada em sua residência (há maneira melhor de comemorar?). Quando cheguei lá, a galera estava bem divida. Os caras na sala, jogando uma porcaria chamada PES, as meninas num canto da varanda, jogando conversa fora, e mais um carinha que resolveu se excluir, ficando no outro extremo da varanda, vidrado no PSP. Do jeito que estava, nem parecia uma comemoração de verdade. Logo assumi que era tudo culpa do PES, pois há pouca coisa no mundo mais chatas que simuladores de futebol.
Por sorte (minha) ou por sensatez (do anfitrião) pouco tempo depois da minha chegada meu amigo resolveu mudar o jogo. Qual game ele colocou? Este que compõe o título deste post, lógico: Michael Jackson: The Experience.
O jogo funciona com o PS Move, e tendo sido essa a minha primeira experiência com o acessório, vale fazer um breve comentário sobre o mesmo. Mas que cara de pau da Sony, hein? Copiou na cara dura o joystick do Nintendo Wii! Engraçado pensar que lá pelos idos de 2006 a Sony já cantava a vitória afobadamente, como se nem a Nintendo nem a Microsoft pudessem abalar o seu poder. Vejam só a que ponto chegamos, apenas alguns anos depois: a Sony descaradamente plagiando um recurso do console rival, aquele mesmo console que a arrogância da empresa dizia não ter nem chance de abalá-la. Mas isso não é novidade, basta olhar para o histórico da companhia para ver que ideias originais nunca foram seu forte. Quando se fala em acessórios, a grande campeã é a Microsoft com seu Kinect, o único que conseguiu criar uma experiência inovadora e diferente da proporcionada pelo console da Nintendo.
Depois do meu amigo ter mudado de jogo, a pequena festinha mudou completamente. Se antes a turma estava dividida, depois que Michael Jackson subiu no palco (desculpem, não pude evitar
) todo mundo se juntou, e nem parecia mais a mesma festa. As garotas se animaram, deram uma de dançarinas do Faustão e começaram a dançar (acompanhando quem estava jogando); os caras, quando não estavam pateticamente tentando imitar os passos de dança indicados na tela, estavam preocupados em xingar o jogador da vez (ouvir frases como “dança direito, p***a!” ou “haha, olha lá fulano, dançando igual viado!” era algo mais comum do que se imagina). Fato curioso: as garotas adoravam imitar os passos do jogo lá no fundo da sala, mas quando se tratava de pegar no controle e realmente jogar, elas amarelavam. Vai entender.
Quanto ao game, achei bem competente. Foi lançado aproveitando a relançamento à mídia que Michael Jackson teve após sua morte, e traz um belo conjunto de músicas do mesmo. Nunca fui fã do cantor, nem nunca me aprofundei em sua carreira, mas como todo ser humano que se preze, ouvi muitas das suas canções. E me surpreendi ao encontrar todas que já tinha escutado, mas mais uma porrada das quais jamais tinha sique ouvido falar. É um prato cheio para os fãs do cara e para os apreciadores de boa pop music. Depois de passar a tarde jogando Michael Jackson: The Experience e ouvindo várias de suas músicas, me dei conta de que as músicas que o cara fazia há 15 anos ou mais, são bem melhores que a grande maioria das músicas lançadas por esses cantores mais novos. O que há com essa nova geração de músicos? Poxa, alguns são tão ruins que não merecem sequer ser chamados de “músicos”.
Acredito que não há muito o que falar sobre o gameplay. Até porque nem posso falar muita coisa – só joguei uma música, Smooth Criminal. É como os outros jogos de dança que já existem, com o diferencial de ter os grandes clássicos do rei do pop. Jogar MJTE (êta, abreviação estranha!) numa festa com os amigos é como jogar aqueles arcades de dança nos shoppings, com uma diferença básica: ao invés de passar vergonha na frente de um bando de desconhecidos no shopping, você passa vergonha na frente dos seus amigos, tendo o pleno direito de zoá-los quando for a vez deles de jogar.
Acredito que essa seja a melhor forma de resumir minhas impressões após essa tarde com o jogo: é um game de shopping, daqueles que você só joga bem de vez em quando. Legal para uma tarde de diversão descompromissada, mas de forma alguma gastaria R$149,90 para ter o jogo em casa.

